Um dia calado, um ambiente exageradamente sossegado... Uma pessoa de olhar disperso o vazio, de coração que vagueia algures por aí, nas mãos de uns e de outros. Que passa pelas mãos de todos, mas que é incapaz de ficar ao abrigos das mãos de alguém.
São mãos carinhosas, algo enigmáticas, atenciosas. Outras efémeras, calejadas pelas malhas da vida, com medo de coleccionar mais uma marca. Há ainda outras que cuidam como sendo um bem precioso, como se anteriormente não tivesse ali pousado outro coração. Há no entanto mãos falaciosas, agrestes, com único intuito de magoar.
É assim, conhecedor, o coração que trago no peito. Passando de mão em mão, conhecendo cada uma verdadeiramente ou deixando-se iludir por outras que fingiram ser o que não eram ou o que gostariam de ser, caminha num ciclo vicioso. Que se deixa conhecer, que conhece e se magoa profundamente. Fica sem gota de sangue, chora lágrimas de tristeza, perde mãos que nunca mais vê nem sente. Mas de novo ganha alento para continuar a percorrer mãos desconhecidas, de tantas mãos pelas quais já passou.