Ainda moro no vazio dos teus passos. Ainda permaneço no silêncio das tuas palavras. Ainda flutua no ar a essência da tua existência tão imprecisa. Ainda me sinto presente no teu caminho, mas que só é utilizado como um caminho secundário quando sempre fiz parte do principal.
Ainda passo pela rua onde juntos crescemos... Tudo permaneceu igual. Os mesmos muros onde tentávamos encontrar posições de equilíbrio, as mesmas árvores de troncos ocos que tantas vezes eram o nosso esconderijo dos outros miúdos que tentavam participar nas nossas brincadeiras tão cúmplices.
Ainda olhei de relance para as nossas casas... E vi! Vi o reflexo das nossas caras, da nossa amizade, das nossas brincadeiras, das nossas conversas... Mas de repente, alguém fechou a persiana e todas aquelas imagens desvaneceram, tal como na realidade. Já não corremos de mãos dadas pelo bairro, já não chegamos a casa com a roupa suja quando caíamos no parque, já não partilhamos as nossas mais secretas confidências.
Ainda não fomos ou não queremos ser capazes de mudar esta situação desgastante... Então continuamos a fazer visitas regulares às recordações, em horários diferentes, com medo de no irreal os nossos olhares se cruzem de novo.
sábado, 18 de abril de 2009
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