terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Correr por aí...

Depois de tanto tempo distante, naquela tarde decidi ganhar coragem para interromper o aconchego de casa e enfrentar o frio que abundava no seu exterior. Queria ultrapassar essa barreira, mais uma vez. O caminho que muitas vezes percorri, com diferentes estados de espírito, levou-me de novo até ti. Levava no bolso da minha camisola preta um enorme entusiasmo que não cabia lá dentro. Então foi-se apoderando de mim juntamente com uma pitada de nostalgia e orgulho por regressar.
Soube a vitória entrar de novo no pavilhão, sentir o cheiro do chão molhado, tocar nas paredes amarelecidas pelo passar das épocas... Desci cada degrau olhando para tudo, verificando que ainda tudo se mantém nos mesmos lugares, tal como quando deixei de entrar ali. Ao abandonar o último degrau, encontrei-te! Continuas com o teu jeito de ser, à espera impaciente e de telemóvel na mão. Não te deixei falar, abracei-te.

O ritmo já há muito tempo que se tinha perdido. O gosto por correr à chuva não. Até tu conseguiste notar, talvez ainda surpreendida pela minha presença. Sabes o quanto sempre gostei de correr à chuva, era o meu alento junto com as nossas brincadeiras. Mais tarde, ouvia-te dizer preocupada que estava toda molhada e ia fazer-me mal. Dando o benefício da dúvida, continuava! Tocar cada gota de água enchia-me a alma e não me arrefecia o coração.

Nessa tarde, correr por aí e sentir a chuva molhar-me o rosto fez-me reviver bons velhos tempos. Correr por aí já com a respiração ofegante e mesmo assim querer continuar. Correr por aí e encontrar recordações em cada rua que ressoaram na minha mente como cada passada no alcatrão mergulhado nessa água da chuva.

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