Pousa a caneta pequena!
Ainda não tens pulso para a tomar. No teu horizonte só existem folhas brancas para seres tu própria a colorir. Só existem folhas sem limites, quadrículas ou linhas, para que tu possas decidir a direcção que o teu projecto em construção vai tomar.
Ajeitas as madeixas de cabelo, que te caem sobre a testa franzina, com os teus dedos pequenos e riscados. Segue-se um olhar desafiador para os lápis de cera que estão muito aconchegados uns aos outros em pequenos copos de plástico, organizados por cores. Num movimento rápido e premeditado, deixa-los à solta pelo tampo da mesa e no teu doce olhar de menina há um mini arco-íris, como se fosse o reflexo das cores espalhadas pela mesa.
Donald ZolanSeguras um lápis, depois noutro e começas a rabiscar a folha, com medo de que as cores que ficavam marcadas no papel quisessem de novo regressar à ponta do lápis de cera. Terminas rápido o teu gatafunho e com mil cuidados, dobra-lo num pedaço muito pequeno de papel amachucado.
Sussurro-te ao ouvido para não deixares ninguém ver o teu segredo. E tu, menina conhecedora da realidade, dizes com autoridade que o teu segredo foi fechado a sete chaves e ninguém é capaz de encontrá-las mais.
Pobre pequena! Como terá ela fechado uma folha de papel à chave? Deixo-me envolver na tua inocência, entrego-te uma nova folha selada com um sorriso e fico a ver-te desenhar.
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