Fica aqui comigo hoje, só mais esta noite.
Talvez amanhã te faça o mesmo pedido e no dia seguinte também e nos dias da próxima semana talvez insista mais uma vez. Poderei pedir a tua presença durante um mês ou só esta noite, mas hoje quero que fiques aqui, do meu lado.
Quero que ocupes o cadeirão que fica junto da minha cama. Quero olhar as nossas sombras projectadas na parede, próximas daquele relógio onde o tempo permanece estático. Quero ver-te segurar a minha mão, a olhar para o infinito, a sussurrar palavras confidentes. Como se as bonecas de porcelana, cobertas de pó, que estão em cima do armário do nosso quarto, escutassem os nossos segredos.
Suavemente, vamos fechando os olhos, as palavras vão-se arrastando. Até que no quarto, apenas, se ouvem as nossas respirações. As risadas escondidas nas almofadas são agora uma recordação.
Nesta noite em que o vento sopra forte, não deixaste que sentisse medo, quando enrolaste os teus braços à volta do meu peito fino e frio.
Talvez amanhã não seja necessário ser eu a pedir-te para ficar. Talvez amanhã sejas tu quem me pede para ficar.
Escher
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